sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Temporal
São cinco da tarde, estou esperando a chuva chegar, sentava na varanda de uma casa qualquer, olhando para o céu escuro. Um vento frio toma conta do meu corpo, me envolve em seus braços, me aconchega em seu colo. As nuvens chegam depressa, nem ao menos tenho tempo de levantar. Sete da noite, estou a beira do precipício, vendo tudo desabar. Em um movimento friamente calculado, levanto-me e olho tudo ao meu redor. Só o que vejo são paredes brancas. Voltei a sentar. Me sinto jogada num sofá, tomando um café amargo e desprezível. O mesmo vento que um dia me aconchegou, hoje apenas 'assopra' a cinza que resta do meu cigarro barato. Volto ao precipício, vejo as paredes brancas e sua imagem é a única que vejo. Olho pra baixo e me vejo chorando. Chego a conclusão de que nunca houveram nuvens, nunca houve vento. Sempre fui eu, chorando e imaginando suas mãos a me tocar, seu colo a me aconchegar. Reflexos de luz tomaram conta do vazio e escuro quarto. O relógio desperta em seguida. Hora de acordar.
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